Trilhas e rumos do desenvolvimento do principal vetor de expansão de Salvador


 

A antiga freguesia de Santo Amaro de Ipitanga, hoje conhecida como Lauro de Freitas, ainda consegue manter uma atmosfera de cidade do interior, mas não deixa nada a desejar para qualquer grande capital. Seu posicionamento estratégico auxilia a atração de empreendimentos e alavanca a economia do município. Além de ser o principal vetor de expansão de Salvador, já se configura como um pólo de desenvolvimento da Bahia com grande potencial, recebendo algumas das maiores empresas nas áreas de educação, indústria, comércio, serviços e turismo.

Os personagens principais da cidade são desde trabalhadores das mais diversas qualificações, a profissionais de alta renda. São eles que constituem um significativo mercado consumidor. O aquecimento da economia atrelado às estratégias a longo prazo da prefeitura, para atração de investidores, se reflete na comodidade que o município oferece ao cidadão, em termos de infra-estrutura. Não é mais necessário ir a Salvador para frequentar boas escolas e universidades, passear em shoppings, ir ao supermercado, ao hospital, ou até mesmo comprar um veículo. A cidade abriga grandes redes dos mais variados ramos de negócio.

Segundo o diretor da Agência de Desenvolvimento Econômico de Lauro de Freitas (Adelf), José Carlos Arruti, fatores das economias nacional, regional e local se combinaram para impulsionar o desenvolvimento de Lauro de Freitas. Ele ressalta que a injeção de recursos via Bolsa Família, de um lado, e a instalação de fábricas, de outro, geraram um nicho populacional que não tinha renda nenhuma e passou a ter um salário mínimo e meio ou dois de poder aquisitivo. “Isso formaliza um mercado”, avaliou. O PIB gerado pelo município é de mais de 1 BILHÃO de reais (R$ 15.032,36 per capita), segundo dados do IBGE, e mostra porque o Lauro de Freitas ocupa a terceira posição entre os mais industrializados da Bahia.

Contudo, como toda cidade que se torna grande, Lauro de Freitas já começa a enfrentar problemas. “Essa região tende a crescer, mas precisamos que seja um crescimento ordenado, para não ficarmos “travados” como Salvador. Prova disso foi a manifestação dos comerciantes por causa da mudança de trafego na Luiz Tarquínio (dia 19)”, ressalta Paulo Rocha, proprietário de uma pousada em Ipitanga. Acrescentou que “O que precisamos de verdade é de uma campanha de elevação da identidade de Lauro de Freitas, para que sejamos publicamente reconhecidos, para quebrar esse paradigma de ficar à “sombra” de Salvador e estimular melhor o turismo local”.

Um contraponto do aumento desse desenvolvimento acelerado é a frota de cerca de 85.000 automóveis veículos, segundo a Secretaria Municipal de Transportes de Lauro de Freitas. Esse é um ponto que merece mais atenção de autoridades e moradores para que não se torne um empecilho ao bem estar do laurofreitense. Segundo o Anuário Estatístico do governo do Estado, se comparado com a vizinha capital, o município tem uma área de apenas 59,905 km², e uma densidade de 2.727,89 hab. por km². Já Salvador possui 706,799 km², densidade de 3.786,94 hab./km², e já sente os efeitos de um desenvolvimento mal planejado.

Outro contraponto é o problema das chuvas. Ano passado vários pontos da cidade ficaram alagados, como a Av.Luiz Tarquínio, Vilas do Atlântico, Final de Linha de Lauro de Freitas, Lagoa da Base, Itinga e Portão. A “estação das águas” esse ano já chegou fazendo estrago. Em março fortes chuvas afetaram os principais pontos do município e deixaram a Rua Úrsula P.R da Fonte (ao lado da Dismel) literalmente debaixo d’água.

Os alagamentos não vão se repetir com a mesma intensidade de 2010", disse Ápio Vinagre, coordenador da Defesa Civil de Lauro de Freitas, à Tribuna da Bahia, quando questionado sobre os danos que a chuva pode causar ao município. “Como a cidade está no nível do mar, sempre que a maré está alta e chove como em março, a maré retém a água dos rios impedindo o escoamento das áreas onde houve alagamento” explicou.

Especulação imobiliária

Uma pesquisa realizada pela agência Potencial Pesquisas que entrevistou 413 pessoas em 17 das 18 regiões (administrativas) de Salvador, revelou que Lauro de Freitas é o principal destino onde os soteropolitanos comprariam um imóvel fora da capital. O município lidera com 9,6%, seguido por 7,2% no Litoral Norte, 2,4% na Ilha de Itaparica e 1,2% em Camaçari. O número indica que cerca de 11 mil famílias podem passar a residir em Lauro de Freitas. Em termos absolutos, mais de 40 mil pessoas.

CRESCIMENTO DESORDENADO

O rio Joanes e seus afluentes (Ipitanga e Sapato) pedem socorro. Recentemente a Cetrel divulgou os resultados de análises feitas com a água coletada do Joanes, que indicaram elevada carga orgânica e contaminação por causa dos esgotos urbanos.
Ao longo do seu curso que corta sete municípios, o rio acumula poluição por onde passa e enfrenta outros problemas que são alvo de reclamação dos moradores, como a ocupação de Áreas de Preservação Permanente, extração ilegal de areia, arenoso e barro, depósito irregular de lixo, assoreamento do manguezal, entre outros problemas que além da degradação ambiental, podem diminuir o potencial turístico do local por onde passa e é atração.

A prefeitura informou, através do Departamento de Comunicação, que realiza recuperação da parte degradada do manguezal do rio Joanes através de parceria com empresas da região. Lauro de Freitas captou 170 milhões de reais através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para implantar a rede de esgotamento sanitário de todo o município. As obras, que serão finalizadas até 2012, e pretendem evitar que esgotos sejam despejados indevidamente nos córregos e rios do município, minimizando os impactos sobre o meio ambiente.

Fonte: Jornal Bahia Norte

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