Após vitória na Câmara, Planalto retoma negociação por nova vitória do mínimo no Senado

Após uma vitória com folga sobre a oposição na votação do salário mínimo na Câmara, a atenção do governo se volta agora para o Senado, que também deve analisar a proposta de R$ 545, aprovada nesta quarta-feira pelos deputados.

A votação no Senado, marcada para a próxima quarta-feira (23), é considerada mais tranquila para o governo. Além de ter uma boa maioria – dos 81 senadores, 63 são governistas -, em tese, a chance de traições na Casa se reduz ainda mais se levarmos em conta que o número de congressistas é bem menor que na Câmara (com 513 membros).

A conjuntura, porém, recomenda cautela e mais negociação para não haver surpresas. Na Casa, o principal aliado, o PMDB, já propôs alterações no projeto de lei que define as regras para reajuste até 2015. Pela fórmula, o reajuste soma a inflação do ano anterior e o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes.

O líder do partido, Renan Calheiros (AL), quer criar “compensações” para tempos de vacas magras: quando a economia não crescer, ele defende que o governo ainda dê ganho real ao salário, e não apenas reponha as perdas com a inflação.

O Planalto rejeita a medida, que já foi sugerida neste ano na forma de antecipação do ganho previsto para 2012. O argumento é que a receita, o que o governo arrecada ao longo de cada ano, não pode ser antecipada.

Mas, de imediato, a maior preocupação do Planalto é que qualquer alteração no Senado obrigaria que o projeto voltasse para a Câmara. Com isso, seria aberta uma nova rodada de negociações para aprovar novamente o projeto entre os 513 deputados.

Outra pedra no sapato da presidente Dilma Rousseff no Senado é a contrariedade aberta que alguns “aliados” do governo tendem a manifestar na Casa. Embora de partidos da base, alguns senadores, como Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) costumam votar abertamente contra o governo e afinados com a oposição.
Novo na Casa, o ex-governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), historicamente ligado a tucanos, deve acompanhar os dissidentes.

Outro que sempre protesta por aumentos maiores, especialmente para aposentados, é o senador petista Paulo Paim (RS). Por encomenda das centrais sindicais, ele já prepara emenda que altera de R$ 545 para R$ 560 o valor do mínimo.

A votação no Senado servirá também como um balanço da oposição, hoje dividida entre aliados dos ex-governadores tucanos José Serra e Aécio Neves. Ambos alimentam planos e articulam apoio para tentar a Presidência em 2014 e dividem PSDB, DEM e PPS. A ala do PSDB ligada a Serra insiste em repetir a promessa eleitoral em favor dos R$ 600; já aliados de Aécio adotam tom mais moderado, e falam em valores próximos de R$ 560. A força de cada proposta na Casa entre oposicionista poderá revelar um quadro do apoio a um dos dois.

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